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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Herói

















Aqui está o herói. Basta dessa conversa de maldição e obsessores. Desse horror de noites frenéticas e de tardes melancólicas devastadoras. Segurei o destino pelos chifres: – Belzebu! Pisei-o, chutei-o no olho e nas virilhas. Depois cuspi na cara dele. Belzebu. Já era. Dei um pulo e saí voando, com a minha capa azul inflamada.

Proteção


Dafoe, 'A Última Tentação de Cristo'











Então. Nesses brancos obsessivos em que eu não sou mais eu, assaltado que fora por algum espírito petulante e desalmado, nesses momentos – às vezes horas seguidas – eu devo estar me conduzindo por um sopro de vida, que é deus, ainda, eu creio, em meu coração, e que me leva ao acaso pros braços de N. Senhora.

Caveira





















Isso que está acontecendo comigo, como explicar? Apagão da memória, mas o que é isso? O que foi que eu fiz das 4h às 6h da tarde, que louco, não lembro nada. Meu cabeleireiro diz que o exu baixou. Começo a acreditar nele. Exu baixou e tomou conta. Uma hora estou bebendo com os amigos, o exu vem e eu não sei mais de nada. Não sei quem toma conta deste corpo – não sou eu. Da última vez, falava inglês fluentemente, e eu não falo o inglês assim tão bem. Nem me lembro disso: eu sonhei, tento voltar ao corpo, mas ali está ele, possuído: não sou eu.
Um amigo disse que fico “agressiva” – assim, possuída. Que coisa. Pombagira! Vou ver o que os caboclos têm a dizer. E o analista, cruz credo!

sábado, 31 de outubro de 2009


Foto, Rosália Brandão










Nós dois na fita

Foto, Marcelo Cordeiro

















O lixo e o verde. Quero estar bem perto de ti, purificado. Ei-me aqui de novo de bem com a vida.

Mas eu não fui a lugar nenhum, pra não dar o que falar: Eu tô contigo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A Maré (E a Morte! O Amor...)
















1
Foi pura sorte. E esse consorte
“Realista”
Tanto faz – sou um homem honrado
(Pois não ficou apaixonado?) Justo

2

Meu amor do tipo múltiplo – E índio
(Asteca!) – E unilateral...
Mais solidário impossível
E, claro, eu adoro – Cerebral
“Amor, Palavra Prostituta” (1)

3

Eu discuto, discuto mesmo
– Persigo, oras
Podia ter comprado (boto pra foder)
“O Amor é Fodido” (2)

4

Pertinho do inferno
É frio aqui, o meu resfriado
– Era mais frio com você
Pertinho do céu
Oh, e o diabo?

5

Inverno no hemisfério
As noites de Verão no Inverno...
Eu espero, “como se fora brincadeira de roda” (3)
– Okay, preciso dele por perto
Desculpe
Deserto
Preciso de você neste Inverno


(1) Maceió, 1983, império dos sentidos

(2) Lisboa, 1987, até hoje...

(3) Pura nostalgia, São Paulo, esta madrugada

segunda-feira, 19 de outubro de 2009
















O amor – “sexo”, dissesse Rimbaud – é fundamental. Então não procure aqui alquimia pra salvação da pátria ou – como queria o Augusto Boal – o ensaio da Revolução. Nada disso, compromisso unicamente com a terra (a carne) e o céu (espírito). Se há mesmo um compromisso, ele acontece com a carne e o espírito, ou com a terra e o céu. Estamos todos envolvidos nisso, mas o homem – eu, você – está sozinho...

Pindorama Brasil

Gravitat
Pulsilânime
Mortífera
De vera
Realitat

A terra é espírito condensado ao ponto da matéria. Eu tento imitar Mário de Andrade, Rimbaud, Santo Agostinho – e Patti Smith, Clarice Lispector, João Silvério Trevisan na obra infalível “Devassos no Paraíso”. Imito Roberto Carlos, Arnaldo Baptista, Domingo Fernandes Calabar, faço lá as minhas orações e finalmente largo mão do Materialismo, os ídolos: Virgem Maria e o irascível Thomas Carlyle, pra citar apenas dois que o Melody Maker e o comunista Enver Hoxha não conseguiram eliminar. Texto cifrado pro leitor não iniciado: não entrego de mãos beijadas as sete chaves do meu tesouro – uma ou duas eu entrego, três ou, quando muito, quatro. É o fim da arte moderna, isso é óbvio.