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quarta-feira, 4 de março de 2009

Latrinos


Eu e Rômulo, Maceió, 2006, a foto é do Éllyo Rios


Não enfrentou os cães, os gatos e os passos de Arquimedes percorrendo a Via Láctea. Esses monstrinhos todos envoltos em lonas cinzas, lonas rubras, melancólicas, cheias de falso arrependimento. “Nasci do Verde, minha amiga, na fé e no excremento. Mas quanta sutileza no ar, heim?” Não é, compadre? Pústulas fedorentas, nordestinas, não são mais baianas porque não podem: Paraibanas! E não enfrentou os lagartos do mato, avis rara, avis cara, carcará, asa branca, cruz credo!

Legenda


+jesuítas+ no Orbital, rua Augusta, São Paulo, 2002, foto de Vidal Cavalcante







Um
Preservo a memória dos anos que vivemos juntos, “Os Melhores Anos”, um pequeno quadro de Andy Warhol, oh, feliz Natal! (Pop life).

Dois
Nenhuma, e umas... A lenda de Sodoma até o mito de Danton, braços abertos e o peito nu à forca, tão grande, tão branco, tão másculo, dantesco macho sendo o sexo, sendo sexo e o tórax macho, tão sexual e cavalo, pro cadafalso, seu homossexual! Não fosse Dante um visionário, esbarrava na trave, ó Robespierre, tu o sanguinário, Pierre, Pierre (Robespierre degolava o amigo), ah, tirano!

Três
Eu aprendi a viver com os impostores e ladrões, e com os atores, hum...

Quatro
No fim, é fonte literária (e cronológica) mui rica, nossa vida em comum, minha experiência, minha contenda, e não achei coisa alguma, não guardei nenhum segredo: estalos da mente revelados em cadeia, aos quais me requisita a boa memória, é hora de acordar e pôr tudo em ordem: me debruço sobre a mitologia gay.

Medusa na Chuva


Sorrateiro, ele desceu as escadas e deu de cara com ela, a medusa, lhe observando do umbral da porta. Era cedo ainda, a chuva caía forte e havia os relâmpagos. Ia ser uma noite longa, os dois sozinhos, ele e a medusa – ela calada, mas pronta pra o ataque. Ele quis voltar correndo, subindo as escadas, mas o olhar da criatura mitológica paralisou-o, ali, ao pé da escada – ele não conseguia mover um dedo.

Ela então avançou, mas ele gritou, completamente histérico. “Calma”, disse a medusa com as suas 25 bocas de mistério, e foi ao bar, servindo-se de um gim. “É, parece que vai chover a noite toda. Quer jogar baralho?”

“Não, não quero jogar baralho... Por que você não vai embora?”, ele gritou com força. “Ora, meu bem, você me deixaria ir com toda essa chuva?”