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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Minha Vida com Você

Vontade de fumar um cigarro – já não compro mais o maço, um maço me faz mal: um somente no retalho e fode o humor e a saúde. De mal com o mundo porque fumei demais: E agora: já não fumo, quero fumar um cigarro, bem, isso era uma desculpa pra começar a falar com você, sabe, porque... Eu estou contente com as coisas todas: E com a solidão, com você ao meu lado às vezes a noite toda: eu gosto.
De conversar e jogar a conversa fora e ficar olhando assim, batendo no seu ombro, “poxa, não era pra ser diferente”. Então o cigarro: Não tenho mais em mente, isso, vendo a Rita pelo YouTube irada, “a polícia, meu, como é isso? Vão se foder”, Dylan nos meus fones me absorvendo: ‘I lost the ring... Blame it on a simple twist of fate’. Eu estava cheio da vida e então ela veio de novo, inteirinha: Pra ser amada e idolatrada – a vida a minha vida a vida com você, que tal?

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Amor vingou

O amor há de vingar
Depois de anos sentado à soleira esperando
O amor que vai se formando
Ao largo
Enquanto fumo cigarros e saio por aí aguardando
Aprontando
O amor que se formou e eu nem percebi
(Não ouvia os sussurros dele, o chamado)
Seu enlace apertando se chegando
E eu largado assim
Mas já percebendo e entendendo
Querendo
Você chegou então me tomou nos braços
Sem que eu dissesse nada – nem pude
O amor vingou
Era isso – todas as histórias já vividas
E rompidas
Românticas ou não
Perigosas algumas – voluntariosas
Agora que estou assim todo protegido
Couraçado – o amor a ferro blindado
Tão feliz eu sou fumando cigarros ainda
À soleira – olhando pra cima e pensando alto
“Agora sim, estou salvo”

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amor Tosco

Amor bruto e tosco, com os urubus comendo a carniça e os ossos dos animais perdidos sob os seus pés, não sei, isso é um amor? Parece que sim, mesmo assim agredido pela natureza dele – bruta e determinada nas más condições... Mas será tão má assim? Bem, a visão dos urubus não foi romântica, “nunca mais quero vir aqui outra vez”.
Mas é o amor possível: E é somente um amor apenas – tenho outros na manga, tomara que vingue!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cracolândia

Dura pedra ressecada artificialíssima e pobre, minimizada combinada por baixo ao desleixo, os itens de quinta, de terceira, um produto ofensivo e maléfico desde a origem: Agressivo ou criminoso: veneno, reles droga ordinária vulgar artesanal, porcaria popular e má distração: perigosa, letal, dinheiro jogado fora.
Ou lavagem cerebral e trajetória e maneios da coisa braba em si organizada às metas e os objetivos metodicamente estudados detalhados, rigorosamente calculados: Efeitos colaterais e danos físicos ou espirituais à parte as perdas. A química e a cúpula assassina do laboratório ao governo único central e um esquadrão mercenário, o traficante lombrado armado dopado malvado e extermínio em massa: As causas e as consequências...
Quem organiza o sistema e determina a caça, a hora, o lugar, quem distribui e abate lancinante aos poucos, mas, rapidamente, brevemente, continuamente até o fim: Até a degradação do corpo liso e imundo do menino vil o rapaz vulnerável...
A criatura que vira pó então depois deteriorando o plexo solar e seu coração, os pulmões e rins o fígado, as emoções juvenis corrompendo-se o garoto destroçado e corroído destruído sem a menor cerimônia: Sepultado e esquálido pálido esverdeado o infante o falecido.
Desgastado ora estraçalhado e abjeto: Passado, detonado desta pra outra o desgraçado.
Braços e pernas e as mãos os pés: O lábio o olho e o dente, o cabelo o sexo tudo podre: descaracterizado, decrépito: descascado fétido: carcaça e a carne sumindo. O cérebro queimando lá no alto fundido e a esperança vem abaixo sem chance alguma: Vida boa e suave toda vida: era pra ser. Mas apartada foi amordaçada: Iludida, esconjurada – lograda.
Aprisionada, posta em degredo: E a desonra, a vida de um bando de seres humanos: multidão: a massa bestificada mistificada, tornada inútil incapaz, eliminada sem piedade no opressivo ritmo de mentira contagiante e a falsificação.
A fantasia tola dos cegos: Manobrada à destreza a uma precisão matemática e religiosa: tudo milimetricamente desenhado, a violência e o ultraje legal, o ataque imoral às crianças, uma implacável habilidade tal de fazer o mal. Uma ordem imposta e o facínora local mundial que não sobra ninguém: Não sobra nada: nada, nada, nada...

sábado, 12 de novembro de 2011

Vamos fugir

Vamos fugir, eu mesmo e a minha consciência: Vamos fugir pra bem longe daqui, pras matas verdejantes próximas ao rio Manguaba: e depois a gente deságua no mar, num catamarã pintado de verde, azul e amarelo, com frisos pretos e faróis acesos à tardinha, no por do sol. Eu e minha consciência, meus pés, meus braços e mãos: E a minha cabeça – o meu espírito vai junto: às vezes ele se desliga e sobe até uns quinze ou vinte metros olhando lá de cima e se apavora com medo de cair e volta.
Mas estamos em busca de um lugar ao sol pra ficar e colher baronesas na água: Na terra construir uma casa com sala, cozinha, varanda e um quarto no sobrado com toilette: a janela de frente pro rio. De manhã logo cedinho ligamos o rádio e vamos pescando notícia, conversando com os moradores e a polícia, “o prefeito não estava, a guarda municipal ficou atolada na estrada”, não, agora é Verão.
Mas eu posso descolar um cantinho legal fora da alta temporada, yeah, vamos fugir, bebê, não dá mais pra continuar assim somente vendo o tempo passar e compondo aforismos. Não há motivo pra ficar assustado com a fuga se ela se faz à rota: Abri a porta: as bananeiras começam a parir na várzea, o pescador acena detrás do raio de luz, na outra margem. As nuvens crescem resplandescendo no céu como oráculo e ornáculo. O mundo é perfeito, “pronto, estou fora, estamos todos bem, eu, minha consciência, meu corpo e o meu orgulho”, bem na hora, então: Pode ser agora.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tempo acabado

Não há tempo mais pra nada, acabou o tempo. Não há tempo de espera, esperar o quê? Você já fez de tudo. Uma espera e permanência e tantas atribulações – nem vamos falar de pecado num sentido cristão... Pois bem, mas é o tempo, o tempo que se fica inerte ou se atropela o tempo. Então, pra mim está acabado, não sobrou tempo nenhum.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pronto pra Tudo

Eu estou pronto pra tudo. Esquecer o passado e continuar seguindo por esse longo e cimentado aqueduto que é a minha trajetória de vida (econômica, familiar, social, literária, religiosa) desde que nasci e desde aquela primeira vez que peguei o lápis e o papel e então comecei a escrever.
Como se eu já soubesse (antes mesmo de aprender a ler e escrever) e só agora estou pronto – calmo e disposto. Sempre estive perto dessa coisa, observando a luz que vinha de fora, os pequenos vagalumes piscando no terraço escuro, o centro de tudo rodando até um ponto vago do meu próprio universo interno e pessoal. Uma boa imagem – o reflexo de um passado, de uma infância, de desejos sagrados e da fera espreitando no mato pra me tomar de assalto, a bela...
Eu sempre soube do perigo – e como isso era a própria vida, quer dizer, intrínseco a ela. Não posso reclamar de nada, nem das maldades, do chute na bunda enfim, o que importa é o aqui e agora e você estar vivo. Olhando os vagalumes lá fora, o vagabundo comendo as suas custas, todo mundo rindo de você e a cidade um lixo. Mas você continua vivo. Então ponha as mãos pro céu e diga suavemente. – Aleluia.