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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tempo, Tempo


Sebage, aos 25, praia do Francês, foto de Vinicius Lopes









Gente como eu antecipava os fatos, ou senão os criava, pois, de imediato, isto aqui é pura imaginação: a possibilidade de construir o mundo, e os exercícios diários do cérebro em rede e o corpo decaindo: isso vale para todos os homens, um menino de 25 anos é, já, a mesma coisa... Então escreva poemas e pense: Antes dos 50 eu conseguirei, mas é uma questão de tempo: agora tenho muitíssimo menos e sei o que posso fazer, e o que não posso mais.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Paixão Nº. 2.365


No Villagio (Bixiga), com Moisés Santana: homenagem aos Secos & Molhados, 1999






Às vezes sou um grosso, mas nunca, nunca com você, jamais baterei em você, esqueça aquela mulher e o passado, vamos juntos pro Rio no Carnaval, do que você pode se queixar?

– Essas noites na paulicéia, atrás de um fruto, de um gajo, de um puto. Música em todos os lugares, à noite, as criaturas de nada, os amigos que eram tudo. Sexo, poesia no hall do teatro: “Um dólar da sorte”. A estrela nua e velha, linda assim tão velha, tão maluca. Te quiero, te quiero, compreendes, te quiero, sin compromissos, no? Ir à missa aos domingos, depois ao bar, às vezes Camões.

Poesia como gotas de sal, as dunas do Ocidente. Trópicos. Role pela areia. “Um dólar pelo seu beijo no meu quarto”, não, não se trata disso. Eu te daria muito mais. (Passion).

terça-feira, 5 de maio de 2009

As Drogas


Ginsberg


















As drogas, os cientistas sabem usar, Freud, Timothy Leary, os artistas, melhor policiar. Mas os poetas, caras como Ginsberg, eles têm o poder. Muitos se perdem na loucura ou morrem muito cedo. Norman Mailer sabe, eles todos conhecem de perto: a luz dos olhos de deus! E eu, serei mais forte do que os ricos e os ateus?

Mui Amigos


Em Barretos... Rock sertanejo!








“Onde tiro a roupa?” Olha, por mim, você tira aqui mesmo, é o meu quarto.
E lá estava você, me mirando, de cócoras, de manhãzinha, eu meio dormindo meio acordado, e nenhuma peça havia você tirado.

Não sei por onde valho, mas não me lanço por baixo. Amar é como um jogo de dados, e daí? Só não me desvencilho da honra, do meu humor célebre, ah, como o diabo, como a vaca magra, “eu te amo”.

Yo quiero ficar contigo, você quer, você quer ser meu íntimo amigo?
Quer, quer? Não é uma vaca, nem uma pata, nem é Marta: sonho de Via Láctea, aquarianos.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Balada


Impura, sobretudo insana é a saga de viver, porque às vezes, às vezes você não consegue controlar. Eu pelo menos, e sei que muitos também não, eu não consigo. Péssimo isso, não conseguir se controlar. Uma disciplina, quanto tempo perdi? Os dias de sol, o trabalho, a criação, a geração: pecado.

E aí você fica doente, quebrado. Balada. Varar a noite insano. E você quebra mesmo, se distende, amolece, o espírito adoece: a carne é fraca, apodrece.

Eu estou bem, agora, ressuscitado! Mas precisa ter cuidado. Me sinto tão velho.

sexta-feira, 24 de abril de 2009


By Ellyo Rios













Envelheci muito rápido aqui, estupidamente. Como isso pode acontecer a uma pessoa, deixar os trogloditas tripudiarem assim? Aqui, os trogloditas, ah, como me dói olhar no espelho e não ver o mesmo cara, um velho tentando viver e se safar, o jeito é fazer uma cirurgia, chame o médico dermatologista e o cirurgião plástico, oh, minhas medidas, até a gordura subiu à cabeça, e ao flanco, limpoma. Bem, o fato é que eu envelheci tanto aqui com essas pessoas, ó taciturno, e feio, feio que dói. Miseráveis putas e viciados, fazem qualquer negócio: eu estou fora, embora estrepado. Mas eu vou sair dessa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Viajandão


A Supremacia Sebage















E então ele olhou pro alto e descobriu aquele manto estrelado, sem nenhuma nuvem, o pó de estrelas iluminando seus olhos, o tempo e o espaço afinal eram uma coisa só. E eu a 200 mil metros do solo, suspenso nesse azul profundo e brilhante, um céu de estrelas me absorvendo como esponja de luz e calor... A vida, a minha própria vida, o pó dos astros, os seres humanos alguns são feitos de pano, bonecas de renda flutuando no espaço, pontuando, marcando as horas e badalando, ei, volte à Terra, volte!