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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Que o Diabo me carregue

Eu não sei em que momento o diabo me carregou, quando foi que deixei de sentir ou de perceber o meu espírito e a minha própria pessoa – onde estavam o meu espírito e a minha consciência transparente e desbravadora quando o imundo me pegou pelo braço e me levou consigo voando sem que me desse conta das horas e das ruas e da paisagem urbana? Eu me voltei e lá estava eu de frente para o guarda: Ele me deu um soco, puxou minha perna e pisou com o coturno na minha cara. Não, isso não aconteceu – mas o que foi que rolou nessas horas em que voava pela cidade nos braços de satanás? “Boa noite, Cinderela”, me cumprimentou o padre, vestido de gala, com a batina preta justa e elegante, à porta da catedral. Eu não estava só, lá dentro uma multidão de fiéis se ajoelhava e de cabeça baixa orava o pai nosso. “Em nome do pai, do filho e do espírito”, valei-me meu santo Antônio, a vida ficou difícil e besta e o tempo precisa correr pra alcançar o topo da roda, ó, minha pequena fortuna, a gincana chega ao arremate: Quem sou eu, pergunta Jasão à época da grande tragédia. Eu paguei o preço e calei a esfinge – saí com o olho furado, o que mais podia querer você de mim? Sei bem porque isso acontece, o diabo me carregando sem garantia de retorno e a roda girando, às vezes homem, às vezes besta-fera – eu podia fazer um esquema e explicar tudo direitinho, mas pra quem, pra minha alma desolada e chorosa detonada por essas quedas todas?

Antes que Ela diga Adeus

Dando um tempo na postagem do livro 'Álbum de Família'...












Antes que você me diga adeus, eu preciso dizer que te amo, que mesmo tendo sido uma única vez, valeu por um milhão de vezes, não sei como explicar, fico pensando, “ela nunca vai voltar nem ligar pra mim”, será? Deus o abençoe, você me fez sentir novo e eu me desenvolvo com experiência, assim, na cama, ficou tudo bem, como poucas vezes... Mas eu sou impaciente: Quando ele vai ligar, acho que nunca, mas nunca é muito forte de dizer, talvez, quem sabe, pode ser, por que não...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

(9) Doce Vida de Regalo e Prazer

Assustada e perdida na vida
A essa altura da vida
E ele lá do outro lado do rio, plantando banana
Cheio de compostura
Ela também cheia de vida
Mas perdida, esperando ele passar

– Ele vai te amar um dia, querida
Pode apostar, vai ser bom pros dois
Então ela se pôs a criar, fazer crochê, tricô
E plantou rosas

Ah, as mulheres, elas só querem amar
E gostar muito de você, pode apostar

Então o mundo deu passagem
Ela voltou a olhar pra frente
As bananeiras deram fruto
O astral mudou, o dinheiro entrou
Tornaram-se casal, ela aqui
Ele do outro lado do rio

Pescando tilápias, arriscando a vida na noite
Bêbado feito um gambá
Gostoso, que bebedeira gostosa
Ele tomando todas, sem ligar
Ela junto, cuidando

domingo, 27 de março de 2011

(8) Início, Oposição ao Início, Realização

foto: Willians Valente


















Maravilhas da Antiguidade, escritas na pedra e no couro, muita coisa relegada, mas que foi resgatada por um impulso forte e pelos esforços diários e noturnos: Não esqueça de anotar as noites ruins, solitárias, vazias: como um filme de Khoury ou senão dias e noites de sexo cerebral – ou o não-sexo, que é o que acontece sempre... Mas voltando às histórias do passado remoto, ali estão as causas, as predestinações, o caminho trilhado desde o começo: Nós todos temos um início, um meio e um fim: eu estou no meio ou no fim do meio já que o meio também tem o seu começo... Geralmente é assim:
1-2-3: Início, compreendendo o início do início, oposição ao início (meio do início) e fim ou realização do início: do momento que veio à luz até os 30 anos;
4-5-6: Oposição (meio), seguindo a regra, início de oposição, oposição à oposição e realização (fim) da oposição: dos 31 aos 60 anos;
7-8-9: Realização, dos 61 aos 90 em média, mantendo ad eternum o principio: início, meio e fim.

sábado, 19 de março de 2011

(7) É o que Eu digo sempre
















Há quanto tempo assim, sem vontade de dizer nada, esperando, afinal, que você me peça em casamento. É muito tarde pra casar, não penso mais nisso, talvez um compromisso, o que acha? Mas nem isso, bem, não quero saber, não quero falar de nada disso, estou exausto, nada que me conforte ou me console, quantas vezes você me abraçou e me tomou nos braços, me tocando mesmo de verdade, esquece, não estou reclamando de nada, só estou... Resmungando. Eu, o cara imprestável pra se relacionar, não sabe cativar, não prende ninguém ao seu lado, eita, bicho enjoado, tanto que eu faço pra lhe agradar, chupando sua nuca, em silêncio, pra dizer baixinho, “eu te amo”.

álbum de família

é o livro q estou postando, acompanhe do início (veja a numeração dos posts)...

terça-feira, 8 de março de 2011

(6) A Roda da Fortuna

















O desejo de voltar atrás, mas não há nada que se possa fazer: estou bem, relendo os meus pensamentos gravados na pedra: um hábito antigo de meus ancestrais, escreviam tudo na pedra e no couro dos animais. Mas escreviam pouco, maior era o desejo de reprodução da prole, e de matar, ah, espero que esses desejos sobrevivam a minha herança sertaneja, sem esperança alguma de fortuna, as pedras rachando ao sol desértico, o capim seco do pasto, os bichos morrendo, e as palavras, as minhas palavras, é tudo o que tenho.