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sábado, 19 de março de 2011

(7) É o que Eu digo sempre
















Há quanto tempo assim, sem vontade de dizer nada, esperando, afinal, que você me peça em casamento. É muito tarde pra casar, não penso mais nisso, talvez um compromisso, o que acha? Mas nem isso, bem, não quero saber, não quero falar de nada disso, estou exausto, nada que me conforte ou me console, quantas vezes você me abraçou e me tomou nos braços, me tocando mesmo de verdade, esquece, não estou reclamando de nada, só estou... Resmungando. Eu, o cara imprestável pra se relacionar, não sabe cativar, não prende ninguém ao seu lado, eita, bicho enjoado, tanto que eu faço pra lhe agradar, chupando sua nuca, em silêncio, pra dizer baixinho, “eu te amo”.

álbum de família

é o livro q estou postando, acompanhe do início (veja a numeração dos posts)...

terça-feira, 8 de março de 2011

(6) A Roda da Fortuna

















O desejo de voltar atrás, mas não há nada que se possa fazer: estou bem, relendo os meus pensamentos gravados na pedra: um hábito antigo de meus ancestrais, escreviam tudo na pedra e no couro dos animais. Mas escreviam pouco, maior era o desejo de reprodução da prole, e de matar, ah, espero que esses desejos sobrevivam a minha herança sertaneja, sem esperança alguma de fortuna, as pedras rachando ao sol desértico, o capim seco do pasto, os bichos morrendo, e as palavras, as minhas palavras, é tudo o que tenho.

(5) Cerveja e Morango
















De volta ao espaço lúdico de um dos meus sete corpos, à atmosfera musical dessa minha criatura e aos devaneios em si, quer dizer, à Literatura! Nada mais justo depois de tanto derrame de sangue... Agora os anjos do Senhor derramam sobre o meu rosto filtro de puro amor solar, e o brilho das estrelas. O diabo se irrita e rodopia tanto que dá pena, minha pele recupera o vigor, cicatrizes desaparecem, o calombo, as coisas ganham outro sabor, como sabor de cerveja e morango.

domingo, 6 de março de 2011

(4) Corpus Christi


Inexatamente, a cada passo que dou, não pelo fio da calçada e sim à margem da rua, prestes a cair no buraco. É dessa forma que vivo, como se não houvesse um leme, um freio, uma direção: Há uma direção que é deus e por ela me conduzo alegremente: assim não caio no buraco, pulo, salto, corro e danço no asfalto. E por esses caminhos de terra, várzeas e rios e lagos: E pelo ar, no fundo do mar também em que me lanço como âncora antiga e pesada, cheia de sinuosidade: e de uma maldade preciosa que é crosta, ferrugem e resistência. Graças a deus, graças a deus estou vivo, mesmo caminhando assim de sobressalto, turvo, girando em torno de si mesmo como um peão louco e infantil, fazendo graça, cativando as pessoas e mimando elas: E irritando outras, arrancando a pele de uns em carne viva.

(3) Doce Vida de Regalo e Prazer















Assustada e perdida na vida
A essa altura da vida
E ele lá do outro lado do rio, plantando banana
Cheio de compostura
Ela também cheia de vida
Mas perdida, esperando ele passar

– Ele vai te amar um dia, querida
Pode apostar, vai ser bom pros dois
Então ela se pôs a criar, fazer crochê, tricô
E plantou rosas

Ah, as mulheres, elas só querem amar
E gostar muito de você, pode apostar

Então o mundo deu passagem
Ela voltou a olhar pra frente
As bananeiras deram fruto
O astral mudou, o dinheiro entrou
Tornaram-se casal, ela aqui
Ele do outro lado do rio

Pescando tilápias, arriscando a vida na noite
Bêbado feito um gambá
Gostoso, que bebedeira gostosa
Ele tomando todas, sem ligar
Ela junto, cuidando

ÁLBUM DE FAMÍLIA

Postando as páginas do livro...