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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Saga de Angelitus


Trindade: Marco Ulgheri (percussão), Sebage (vocal) e Beto Lefévre (guitar), Café >Piu Piu, SP, 2003, foto: Vidal Cavalcante








Angelitus parou de tocar, congelou o olhar num ponto distante e sentiu um aperto no tornozelo, estava fora de si: seu cérebro queimava vivo no canavial por toda noite. “Chega, Angelitus” – o cérebro sacrificado diariamente, é natural que fique louco.
“Jamais vou esquecer o meu assassinato. Mamãe, ainda viva, e eu morto, aqui, oh, meu fígado assado na pedra numa noite tão fria”. Canibais, canibais! Angelitus, não ligue, depois disso, não vai mais precisar de cérebro.

Trocando o pato pela galinha

Casualmente embriagado e morto de cansado, ausente como quem não quer nada, espiral política dando voltas: verde que te quero verde, verde fogueira e sombras verdejantes: atiro a pedra no rio, ela rebate, atiro outra pedra, meus olhos se iluminam à visão da poça de gasolina no posto em frente, o sol bate na poça, depois na minha retina: reflete nos meus dentes. Guardo na proporção do enigma o seu refolgo e o medo de açougue: o pato no asfalto agoniza, não quero mais: uma galinha, eu lhe digo, é o que me satisfaz.

Primavera

Me leva pelas esferas do disco, pelos riscos
Até o inferno
Vem a Primavera
Eu não quero drama
Mas somente a palavra sincera

terça-feira, 2 de junho de 2009

Início, Oposição ao Início, Realização


'Noite Vazia', Walter Hugo Khoury














Maravilhas da Antiguidade, escritas na pedra e no couro, muita coisa relegada, mas que foi resgatada por um impulso forte e pelos esforços diários e noturnos. Não se esqueça de anotar as noites ruins, solitárias – vazias. Como um filme de Khoury, ou senão dias e noites de sexo cerebral. Ou o não-sexo, que é o que acontece sempre... Mas voltando às histórias do passado remoto, ali estão as causas, as predestinações, o caminho trilhado desde o começo. Nós todos temos um início, um meio e um fim. Eu estou no meio, ou no fim do meio, já que o meio também tem um começo. Na verdade, geralmente, é assim:
1 – Início, e tem início do início, oposição ao início (que é o meio) e fim ou realização do início, do parto aos 30 anos;
2 – Oposição (o meio), compreendendo, também, início da oposição, oposição à oposição e realização ou fim da oposição, dos 30 aos 60;
3 – Realização (fim), dos 60 aos 90, em média, mantendo, igualmente, esse princípio de início, meio e fim.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Noites Felinas


Flyer do show em homenagem a Wanderléia; foto, Cláudio Pedroso

















Claudia Wonder transforever: A Lôka, 2002








What to write when all that there is to write is nonsense, but the time for nonsense has just arrived? Moi, ah, c’est ça. La perfecte façon de rien. Quand je bien vu la eternellement jollie de vivre... Tomber... Aber was will ich inswischen euch? Nichts.

(De um jovem funcionário do Comércio Exterior, bêbado no meu apartamento – não sei a tradução do alemão, não traduzo nada, pois).

Silêncio. Silêncio, por favor, sua voz me desconcerta! Eu estou cheio disso, meu ouvido não é penico, pare com isso!

(Ora, os caras não se enxergam aos 25, nem aos 35 ou aos 70, por que eu vou sofrer? Estanquei o meu pranto e parei com isso, parei com a dor, os meus olhos claros, não se trata de indiferença, mas de decência).

Mon amour, um corpo é um corpo, e ilumina. É bom isso, é bom que ele esteja lustrado. O espírito é o espírito, o corpo é o templo do espírito, ah, não venha me dizer...

Na hora do gozo, está bien, está bien, ficamos imunes, ficamos invictos. Você vai embora e não descobre nada, nem eu: eu fico aqui, cego, como sempre. Vazio.

Nomes


Com o meu amigo Moisés, a foto acho que é de Ana Komel (Moisés, confirma!)
















Nome de deus, nome dos homens
Todos os homens têm – e deus também
Um nome dos homens de deus no além
Nome do homem que vai pro céu
O nome do ex-diabo: se é que se pode assim deixar de sê-lo
O diabo
Talvez não fosse o diabo, mas o nome
Nome de homem que se foi com o demo
É ele, é ele o diabo?

Credenciais







Mentecapto
Abstrato, covarde
Irascível – inexato
Monárquico fausto
Melodramático estúpido factum

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Aliança


Santa Rita da Lôka e Angel, Sampa, os anos 1990 (a foto é minha, of course)








Feitos um para o outro. Quero-te amante total sem igual, sem barreira (para o sexo) ou fronteira para o amor: desejando-me, começando a me amar, ó, queira-me, deixa-te seduzir. Amore. Minha luz, minha fortuna, minha cruz, doravante sou-te próprio ao desejo, ao teu apego espontâneo, mas que estranho, estamos com medo? Muito que aprender, considera isto: somos únicos, exclusiva forma de dar e ganhar, casamento raro, sendo assim, desafio a tua esperteza: não sabes nada de mim, mas, vamos aí: É nóis!

As Desgraças do Casal (Conversa de Botequim)


Com Alessandra, no club B.A.S.E., São Paulo, anos 1990






Defendo a dívida do leito
Àquela com quem se dorme e a quem se paga
Uma donzela há de pagar mais de uma vez
Pelo leito em que dormiu
“Se dormiu sozinha fica mais barato”

Glória de quem dorme sozinho
Pois a taxa é mínima
E não paga os desgostos do acasalamento
Vivi assim (acasalado) mais de uma vez, anos a fio
E é o que eu digo
Não vale o que pesa o rescaldo
O troco é baixo
A cama quebra