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sexta-feira, 24 de abril de 2009


By Ellyo Rios













Envelheci muito rápido aqui, estupidamente. Como isso pode acontecer a uma pessoa, deixar os trogloditas tripudiarem assim? Aqui, os trogloditas, ah, como me dói olhar no espelho e não ver o mesmo cara, um velho tentando viver e se safar, o jeito é fazer uma cirurgia, chame o médico dermatologista e o cirurgião plástico, oh, minhas medidas, até a gordura subiu à cabeça, e ao flanco, limpoma. Bem, o fato é que eu envelheci tanto aqui com essas pessoas, ó taciturno, e feio, feio que dói. Miseráveis putas e viciados, fazem qualquer negócio: eu estou fora, embora estrepado. Mas eu vou sair dessa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Viajandão


A Supremacia Sebage















E então ele olhou pro alto e descobriu aquele manto estrelado, sem nenhuma nuvem, o pó de estrelas iluminando seus olhos, o tempo e o espaço afinal eram uma coisa só. E eu a 200 mil metros do solo, suspenso nesse azul profundo e brilhante, um céu de estrelas me absorvendo como esponja de luz e calor... A vida, a minha própria vida, o pó dos astros, os seres humanos alguns são feitos de pano, bonecas de renda flutuando no espaço, pontuando, marcando as horas e badalando, ei, volte à Terra, volte!

terça-feira, 31 de março de 2009

Os Bestas


Eu e Rômulo, foto do Ellyo










Bem, mon ami, não vou ficar nesta cama a noite inteira discutindo com você a hora da Besta. Nem vou pleitear migalhas ao pé da cama. Não é bom isso de perder as horas massacrando o coração da Besta. A Besta que você nem sabe o que é, se é você mesmo, se sou eu, e quando vamos parar.

Bem, não estou mais aí pra amargar as horas perdidas, com você encostado à porta, amedrontado pela razão. Não quer se purificar, não quer gozar, não quer mesmo desfrutar os prazeres da vida exceto por aqueles mais mesquinhos... A novela acabou, meu bem, tive as melhores intenções, mas, o que sou eu? Ah, pouco importa agora, a não ser pelo amor que ainda sinto por você, mas perfeitamente administrável. A Besta que se dane.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Nunca houve uma Atriz como Dina Sfat


Dina e Paulo José 'Macunaíma' Joaquim Pedro de Andrade














Sinais de fama
No peito arfante
E a voz que clama
No horizonte
Dum céu cinzento e gelado
E sua dulcíssima alma
E tanta vida
E toda sua via santíssima
Ó virgem deflorada
Na noite do romance
– Não há outra como ela
Talvez
Houvesse um outro
Zé Celso
Jean Genet
Um michê ta custando 250
Aqui nas Astúrias
“Eu te amo
Eu te quero”
Ó deus
Quantas vezes ela disse isso
– Eu te amo
Eu te quero
Nunca mais
Ela parte
Eu espero

Decálogo


"O Evangelho segundo São Mateus", Pasolini










1 Água e vinho
2 Valei-me Jesus Cristo
3 Anjos do arrabalde
4 A lua deixava seus cabelos prateados, eles brilhavam molhados à beira do rio
5 Fama e glória
6 Eu estou apaixonado por você
7 Santos e Silvas
8 Juventude transviada
9 Levava uma vida dos diabos, comia mal, não ia ao cinema, e de noite chorava as penas no canavial
10 Os crimes da rua Cuba

Navio Negreiro


"Nosferatu", Herzog


















O navio é negro
A dor e o desespero viajam aladas
Rumo aos céus
É escuro, o céu está escuro
E a mentira com eles: navegando
Boiando: na penumbra dos restaurantes, banheiros...
Perto das cabines
O assassino espreita
No esgoto, driblando o mar
Breu, o mar é breu


Com Cris Braun e Van Silva, Maceió, Teatro de Arena, 2006, foto: Pablo De Luca








Do livro (inédito) "Versos Cósmicos e Religiosos"

Estou no ponto, como se diz, em ponto de bala, pronto pro ataque, bem, eu só estou passando o tempo, enquanto me acalmo, firme, forte, esperando vocês.


A coisa melhor do mundo é ter alguém

A melhor coisa do mundo é não ter ninguém

Amando a si mesmo, sozinho (Eu sou assim)

É, acho que sou assim


Que importa, não me-arrependo