terça-feira, 8 de julho de 2014
AMOR MADURO
Não há riscos nessa operação – o amor é leve assim maduro, descarta equívocos, malcriações. Por que vou choramingar a essa altura do campeonato? Da cisma ao trunfo: Uma escolha justa, pois certamente deixarei de amar – essa criatura tímida e covarde, arredia tornando-se mesquinha, obsoleta.
Aguardo o fim: O incidente decisivo que fará a bela – donzela! – dar meia volta e assumir o jogo – tornando tudo mais simples, mais firme. Recuperando aquele meu velho amor vadio (e sadio)...
segunda-feira, 15 de julho de 2013
É Mágica
Que maravilha a saudade
De que afinal você soube ter adquirido algo nessa vida toda
Algo bem colocado e de valor
Como um segredo que vem arraigado
Que você carregou como uma estrela no peito
Tudo muito bem dito e bem feito
As luzes da aurora boreal
O canal aberto pelo qual você corre a caiaque e a plenos voos de arte
Quantos mistérios: E o fascínio de escrever sobre o que importa
Na hora exata – orgulhoso
Assim vai (Assim vem...)
O tesouro cobiçado
A estrela do mar: Não adianta contar os dias, as horas
Tudo tem o tempo certo
As pedras no deserto: O acerto de contas
Adeus
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Os Dois Caixões
Os dois caixões dos meus irmãos – de ferro e madeira dura –, como os ossos do meu pai (exumados), os dois caixões à luz do dia da manhã, os dois santinhos em cima (as fotos) e os ossos do meu pai, postos no saco – ao lado.
Os caixões tampados logo mais içados à cova da minha avó: E do meu pai, dois dentes cravados na caveira. Minha vó também no saco ao lado.
E o menino brincava com os outros meninos – em meio aos pais. Os caixões lacrados, os ossos queimados – a arcada dentária não: talvez, eu não vi. Meus irmãos mortos os caixões duros de madeira: E ferro. No dia claro e depois uma chuvinha. Cemitério, chuvinha, fui pra casa ficar com mamãe.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
A Minha Vida com Você
Vontade de fumar um cigarro – já não compro mais o maço, um maço me faz mal: um somente no retalho e fode o humor e a saúde. De mal com o mundo porque fumei demais: E agora: já não fumo, quero fumar um cigarro, bem, isso era uma desculpa pra começar a falar com você, sabe, porque... Eu estou contente com as coisas todas: E com a solidão, com você ao meu lado às vezes a noite toda: eu gosto.
De conversar e jogar a conversa fora e ficar olhando assim, batendo no seu ombro, “poxa, não era pra ser diferente”. Então o cigarro: Não tenho mais em mente, isso, vendo a Rita pelo YouTube irada, “a polícia, meu, como é isso? Vão se foder”, Dylan nos meus fones me absorvendo: ‘I lost the ring... Blame it on a simple twist of fate’. Eu estava cheio da vida e então ela veio de novo, inteirinha: Pra ser amada e idolatrada – a vida a minha vida a vida com você, que tal?
De conversar e jogar a conversa fora e ficar olhando assim, batendo no seu ombro, “poxa, não era pra ser diferente”. Então o cigarro: Não tenho mais em mente, isso, vendo a Rita pelo YouTube irada, “a polícia, meu, como é isso? Vão se foder”, Dylan nos meus fones me absorvendo: ‘I lost the ring... Blame it on a simple twist of fate’. Eu estava cheio da vida e então ela veio de novo, inteirinha: Pra ser amada e idolatrada – a vida a minha vida a vida com você, que tal?
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O Amor vingou
O amor há de vingar
Depois de anos sentado à soleira esperando
O amor que vai se formando
Ao largo
Enquanto fumo cigarros e saio por aí aguardando
Aprontando
O amor que se formou e eu nem percebi
(Não ouvia os sussurros dele, o chamado)
Seu enlace apertando se chegando
E eu largado assim
Mas já percebendo e entendendo
Querendo
Você chegou então me tomou nos braços
Sem que eu dissesse nada – nem pude
O amor vingou
Era isso – todas as histórias já vividas
E rompidas
Românticas ou não
Perigosas algumas – voluntariosas
Agora que estou assim todo protegido
Couraçado – o amor a ferro blindado
Tão feliz eu sou fumando cigarros ainda
À soleira – olhando pra cima e pensando alto
“Agora sim, estou salvo”
Depois de anos sentado à soleira esperando
O amor que vai se formando
Ao largo
Enquanto fumo cigarros e saio por aí aguardando
Aprontando
O amor que se formou e eu nem percebi
(Não ouvia os sussurros dele, o chamado)
Seu enlace apertando se chegando
E eu largado assim
Mas já percebendo e entendendo
Querendo
Você chegou então me tomou nos braços
Sem que eu dissesse nada – nem pude
O amor vingou
Era isso – todas as histórias já vividas
E rompidas
Românticas ou não
Perigosas algumas – voluntariosas
Agora que estou assim todo protegido
Couraçado – o amor a ferro blindado
Tão feliz eu sou fumando cigarros ainda
À soleira – olhando pra cima e pensando alto
“Agora sim, estou salvo”
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Amor Tosco
Amor bruto e tosco, com os urubus comendo a carniça e os ossos dos animais perdidos sob os seus pés, não sei, isso é um amor? Parece que sim, mesmo assim agredido pela natureza dele – bruta e determinada nas más condições... Mas será tão má assim? Bem, a visão dos urubus não foi romântica, “nunca mais quero vir aqui outra vez”.
Mas é o amor possível: E é somente um amor apenas – tenho outros na manga, tomara que vingue!
Mas é o amor possível: E é somente um amor apenas – tenho outros na manga, tomara que vingue!
sábado, 12 de novembro de 2011
Vamos fugir
Vamos fugir, eu mesmo e a minha consciência: Vamos fugir pra bem longe daqui, pras matas verdejantes próximas ao rio Manguaba: e depois a gente deságua no mar, num catamarã pintado de verde, azul e amarelo, com frisos pretos e faróis acesos à tardinha, no por do sol. Eu e minha consciência, meus pés, meus braços e mãos: E a minha cabeça – o meu espírito vai junto: às vezes ele se desliga e sobe até uns quinze ou vinte metros olhando lá de cima e se apavora com medo de cair e volta.
Mas estamos em busca de um lugar ao sol pra ficar e colher baronesas na água: Na terra construir uma casa com sala, cozinha, varanda e um quarto no sobrado com toilette: a janela de frente pro rio. De manhã logo cedinho ligamos o rádio e vamos pescando notícia, conversando com os moradores e a polícia, “o prefeito não estava, a guarda municipal ficou atolada na estrada”, não, agora é Verão.
Mas eu posso descolar um cantinho legal fora da alta temporada, yeah, vamos fugir, bebê, não dá mais pra continuar assim somente vendo o tempo passar e compondo aforismos. Não há motivo pra ficar assustado com a fuga se ela se faz à rota: Abri a porta: as bananeiras começam a parir na várzea, o pescador acena detrás do raio de luz, na outra margem. As nuvens crescem resplandescendo no céu como oráculo e ornáculo. O mundo é perfeito, “pronto, estou fora, estamos todos bem, eu, minha consciência, meu corpo e o meu orgulho”, bem na hora, então: Pode ser agora.
Mas estamos em busca de um lugar ao sol pra ficar e colher baronesas na água: Na terra construir uma casa com sala, cozinha, varanda e um quarto no sobrado com toilette: a janela de frente pro rio. De manhã logo cedinho ligamos o rádio e vamos pescando notícia, conversando com os moradores e a polícia, “o prefeito não estava, a guarda municipal ficou atolada na estrada”, não, agora é Verão.
Mas eu posso descolar um cantinho legal fora da alta temporada, yeah, vamos fugir, bebê, não dá mais pra continuar assim somente vendo o tempo passar e compondo aforismos. Não há motivo pra ficar assustado com a fuga se ela se faz à rota: Abri a porta: as bananeiras começam a parir na várzea, o pescador acena detrás do raio de luz, na outra margem. As nuvens crescem resplandescendo no céu como oráculo e ornáculo. O mundo é perfeito, “pronto, estou fora, estamos todos bem, eu, minha consciência, meu corpo e o meu orgulho”, bem na hora, então: Pode ser agora.
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